A respiração deve ser natural. Cabe ao corpo encontrar, ou melhor, reencontrar o ritmo que lhe é próprio. Por que perdemos nosso ritmo respiratório natural? Porque desde a infância, cortamos a respiração quanto temos medo ou nos machucamos. Mais tarde, prendemos a respiração quando tentamos não chorar, não gritar. Acabamos só respirando quando queremos exprimir alívio ou quando “temos tempo”
Respirar superficialmente, irregularmente, torna-se o meio mais eficaz de nos dominarmos, de não termos mais sensações. Uma respiração que não chega a nos oxigenar faz com que o trabalho dos órgãos vá perdendo a velocidade, reduzindo a experiência sensorial e emotiva. segundo Reich, citada por Bertherat, entravamos a livre circulação da energia que passa por todo o nosso corpo ao criarmos “couraças” musculares, zonas rígidas, mortas, que nos encerram como anéis em diferentes níveis do corpo. Para nos defendermos tanto da sensação de angústia quanto de prazer, bloqueamos a circulação da energia. Hoje a circulação de energia em qualquer corpo vivo – animal ou vegetal – é confirmada por provas neurofisiológicas incontestáveis. Ao reprimirmos nossos sentimentos, sensações, bloqueamos a circulação de nossa energia, entravamos o ciclo natural da nossa respiração, provocando os desequilíbrios corporais, ou seja, é nosso corpo quem sofre as conseqüências. É preciso não esquecer que em todo corpo vivo, bem ou mal, circula uma energia e que, ao impedi-la, sofremos, de algum modo as conseqüências. A rigidez do corpo, as limitações que ela nos impõe, não só causam mal-estar, mas chegam a fazer-nos sofrer. Segundo Mèziéres, citada por Bertherat, a respiração não tem que ser educada e sim liberada. Se ela é defeituosa, é porque está sendo travada. E está sendo travada por causas estranhas a função respiratória. O que a entrava é o encolhimento dos músculos posteriores, e o tratamento é o relaxamento desses músculos. O diafragma é um dos músculos que se inserem nas vértebras lombares e contribui para fixar a lordose (Mèziéres, segundo Bertherat, diz para considerar o diafragma como a parede inferior da caixa torácica), seu entortamento influi nas paredes e, inversamente, o entortamento das paredes opõe-se à correção das faces adjacentes. Todos os movimentos que se praticam na ginástica clássica – forçar a inspiração ou empurrar para trás a coluna afim de “abrir” a caixa torácica – só podem agravar o bloqueio do diafragma e a lordose, explica Bertherat. Os movimentos do diafragma agem de dentro, aliados com os músculos mais superficiais das costas, costelas, barriga. Concedendo a esses músculos um pouco de atenção, consegue-se liberar um pouco o diafragma. O relaxamento da cadeia muscular posterior libera a energia bloqueada, fazendo-a fluir no corpo (equilíbrio das energias: yin (anterior) - yang (posterior), ou seja, equilíbrio do corpo anterior (musculatura anterior) e posterior (musculatura posterior), permitindo assim que a respiração volte ao seu ciclo natural e que o corpo reencontre sua unidade, seu equilíbrio, sua totalidade.
É, portanto nossa energia que confere ao corpo a unidade e, ao mesmo tempo anima todos dos órgãos que também têm movimento. Graças ao perfeito conhecimento do corpo humano, Mèziéres soube compreender e dar provar anatômicas de que nossas fraquezas e desequilíbrios são provenientes da má distribuição de nossa energia e que os bloqueios manifestados na parte anterior do corpo são causados por um excesso de força da musculatura posterior. Ao contrário da ginástica clássica e tradicional que inibe e busca desenvolver os músculos já superdesenvolvidos, o método usa movimentos suaves e precisos que ajudam a soltar os músculos, a liberar uma energia até então desconhecida. “Qualquer distúrbio da capacidade de sentir plenamente o próprio corpo corrói a confiança de si, como também a unidade do sentimento corporal; e cria, ao mesmo tempo, a necessidade de compensação” (Wilhelm Reich)
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