BUSCAPÉ

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

BONDFARO

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

UOL

sábado, 2 de julho de 2011

SUCO DO SILÊNCIO


Hoje não quero agito, não quero passear, nem quero conversar com amigos. Hoje estou para passar o dia comigo. Quero um instante de solidão.
            Peço silêncio, quero a luz do abajur comigo. Também serão bem- vindos o vento que ventar a luz que se fizer entrar e o livro que misteriosamente me chamar.
            Por que do Criador somos crias, também me sinto no direito de ser criativa – é minha forma de homenagear a vida. E se hoje lágrimas minha preparam o solo para um crescimento que se aproxima, é por que essa hidratação se faz necessária. É ela quem lubrifica a força que guia (pelo caule verde e comprido) a flor divina.
            Quando o sossego do lado de fora se torna possível a audição do meu reboliço, sinto apressadamente o desejo de apanhar a caneta, abrir o caderno e expulsar os pensamentos. Mas as palavras se atropelam, a mão enfraquece e os minutos passam lentos, por que, há muito, estão engarrafados alguns sentimentos.
            Mas eu não desisto. Enxoto meu ego crítico e improviso. Improviso por que, assim, sinto o Criador falando diretamente comigo.
            Hoje quero explorar os tortos caminhos dos meus sentidos. Mas nessa aventura não quero repressores, nem setas indicando o perigo. Quero tirar as vestes da consciência e mergulhar, nua, e de ponta, para tocar minha emoção e libertá-la da rede onde ela se encontra.
            Hoje quero ser minha melhor amiga, para não ter medo de dividir tudo comigo mesma. Nem o medo, nem a dúvida, nem o desassossego.
            Agora está chovendo, lá fora e aqui dentro. O céu despeja água, e eu sentimentos. Uso só as palavras que conheço, conjugo os verbos como posso e meus porquês estão sempre errados. Por que nunca sei quão são juntos ou separados – (sei que nunca, jamais, deixarei de perguntá-los).
            Pergunto mesmo. Às vezes sorrindo, às vezes lambendo minhas feridas. Pergunto por que quero respostas genuínas, que germinem dentro do peito e, escorram até o papel e voltem a ser sementes – para assim, quem sabe, germinar em outra gente.
            Então, estou aqui, dentro de um desejado silêncio, gotejando sobre o papel o suco do fruto que já foi flor e semente. Me acho, me perco e me encontro.
            A chuva parou, o sol já foi se pôr. Ouço a chave na porta. É o amor (que chegou trazendo sacolas e cabeça cheia). Fechou a porta com delicadeza, passou a mãos pelos meus cabelos e me deu um beijo.
            Chega de silêncio por hoje. Vou ouvir e ver o amor que chegou; rir à toa. Quanto ao suco, meio azedo, meio doce, que fiz há pouco, vou colocar na geladeira e esperar até que fique fresco. Aí sim, talvez o coloque na bandeja e, humildemente, te ofereça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário